A Roborock, conhecida por ser uma referência nos aspiradores robot, vira-se finalmente para o jardim com a sua primeira gama de robots corta-relva. Com um preço de 799€ e pensado para áreas até 500 m², o RockNeo Q105 é a proposta “acessível” da marca. Testámo-lo durante vários meses.
Impulsionado pela generalização dos modelos sem fio periférico e pela evolução das tecnologias de navegação (GPS RTK, LiDAR, visão com IA), o mercado de robots corta-relva em França está a acelerar rapidamente.
Em 2024, segundo a NielsenIQ-GFK, as vendas cresceram cerca de 20% em valor e em volume no país - um ritmo superior ao do conjunto das cortadoras de relva tradicionais. O volume de negócios situa-se na ordem dos 170–175 milhões de euros (de acordo com diferentes empresas de análise), com um preço médio de compra que ronda os 500–600€ no mercado de grande consumo.
No panorama europeu, o grupo Husqvarna (Husqvarna e Gardena), a Mammotion e a Ecovacs assumem-se como líderes. Ainda assim, a expansão desta tecnologia abriu espaço a novos intervenientes: a Segway (Navimow) e a Dreame, por exemplo, posicionam-se nos modelos “sem fio periférico” e muito conectados.
É precisamente neste segmento que a Roborock decide entrar com a sua primeira família de robots corta-relva - uma aposta ousada, num mercado já bem estruturado e em forte crescimento.
O RockNeo Q105 encaixa no patamar de entrada/meio de gama, com uma relação tecnologia/preço competitiva. À venda por 799 euros, foi desenhado para jardins de 500 m². Para conquistar espaço no exterior, a Roborock procura tirar partido da notoriedade da marca e do seu know-how tecnológico.
Depois de vários meses de teste, fica a pergunta: vale a pena avançar?
O que gostámos no RockNeo Q105
Um corte de relva eficaz
O primeiro destaque do RockNeo Q105 é a qualidade do corte. Numa relva bem mantida, o robot trabalha em faixas paralelas e organizadas, à semelhança dos aspiradores Roborock quando “quadriculam” as divisões da casa. O resultado é visualmente muito limpo, com um efeito de “relva de estádio”. Para chegar a este nível, é importante colocá-lo a trabalhar com regularidade, porque - como acontece com outros robots desta categoria - tende a contornar erva demasiado alta.
O RockNeo Q105 também lida muito bem com terrenos degradados. A largura de corte de 22 cm e o prato flutuante ajudam-no a acompanhar irregularidades e a reduzir “escalpes” em lombas e depressões.
O robot enfrenta igualmente inclinações até 45%, supera obstáculos de 4 cm e consegue passar por corredores com cerca de 70 cm. O sistema de adaptação ao terreno e as rodas traseiras grandes permitem-lhe avançar em relvados ligeiramente ondulados ou em zonas mistas (relva + gravilha).
Ainda assim, convém ter cuidado se, como o nosso, o seu jardim tiver muitas árvores. Embora consiga ultrapassar raízes mais grossas, nem sempre sai ileso. Por exemplo, tivemos de trocar as lâminas após três cortes, porque as que vinham instaladas chocaram com força contra as raízes.
Por outro lado, o módulo opcional PreciEdge permite aproximar-se a cerca de 3 cm de muros e vedações, garantindo um bom acabamento nas bordas. A isto soma-se um mulching eficiente. No conjunto, é uma solução completa que deixa o robot tratar de toda a tarefa de corte, incluindo as partes menos agradáveis (sobretudo as bordas).
Também merece menção a grande discrição do RockNeo Q105. Com 59 dB, está entre os robots mais silenciosos da sua categoria. Claro que se ouve, mas não ao ponto de nos obrigar a levantar a voz para conversar, por exemplo, enquanto almoçamos no terraço durante a operação.
Simples de usar
Tal como o resto da família RockNeo, o Q105 trabalha sem cabo periférico, evitando obras de instalação e as habituais reparações quando o fio se corta. A delimitação do jardim é feita com navegação RTK+Vision e mapeamento inteligente assistido por IA, que aprende o contorno do terreno.
Apesar de, na configuração inicial, ser necessário guiar o robot ao longo dos limites, esta abordagem continua a ser muito mais acessível do que a dos modelos antigos com fio, sobretudo para quem não gosta de bricolage. Ainda assim, a Roborock não vai tão longe como alguns concorrentes, que já disponibilizam robots capazes de mapear o terreno de forma totalmente autónoma.
Em segurança, a visão Sentisphere permite ao robot identificar em tempo real objetos, animais e pessoas. Os modos de proteção da fauna e as limitações de corte noturno, disponíveis na app, são ferramentas úteis para tornar a utilização mais tranquila e fluida.
Por fim, a certificação IPX6 permite lavar com mangueira, o que facilita a manutenção após semanas de utilização.
Uma aplicação clara e completa
A Roborock aproveita a experiência em software e acompanha o RockNeo Q105 com a sua aplicação principal. É a mesma dos robots aspiradores, com uma lógica muito semelhante: mapa do jardim, zonas definidas, histórico de cortes e principais definições. É possível programar janelas de corte, gerir até 15 zonas, ajustar a sensibilidade de desvio de obstáculos e dos limites, e ativar opções como a proteção da fauna (incluindo ouriços) durante a noite.
A gestão de chuva e geada está bem trabalhada: sensor dedicado, regresso automático à base e possibilidade de atrasar o reinício entre 3 e 8 horas, para evitar cortar relva encharcada. Está tudo presente. No geral, mantém-se muito legível e ergonómica. Um verdadeiro exemplo.
O que gostámos menos no RockNeo Q105
Antena RTK obrigatória em 2026
O RockNeo Q105 dispensa cabo periférico, mas só funciona com a instalação de uma antena RTK, o que implica um mastro e um cabo até à base. Tecnicamente, o RTK continua a ser uma solução muito precisa (funciona como uma antena), mas, na prática, obriga a encontrar um local desimpedido, a tratar da fixação e a ter atenção ao alcance e à qualidade do sinal. E, muito honestamente, a antena estraga a estética do jardim.
É ainda mais frustrante porque muitos concorrentes combinam GPS, visão e IA para prescindir totalmente de antena externa. Esta decisão da Roborock é difícil de entender.
Ajuste de altura apenas manual
O RockNeo Q105 permite várias alturas de corte, entre 20 e 60 mm. O problema é que essa altura só pode ser ajustada através da roda física no topo do robot. Assim, não dá para alterar a altura pela aplicação, criar perfis com alturas diferentes por zona ou adaptar o corte à estação com um clique.
Não é um defeito eliminatório, mas fica mal num robot inteligente a 799 euros. Mais uma vez, a concorrência já começa a oferecer ajustes mais finos que tornam o dia a dia ainda mais simples.
A nossa opinião sobre o Roborock RockNeo Q105
O RockNeo Q105 revela-se um robot corta-relva interessante em vários aspetos. A instalação é simples, destaca-se por um corte limpo e homogéneo, e adapta-se bem a jardins irregulares. A aplicação é clara e completa e, além disso, consegue lidar com terrenos inclinados (até 45%).
Em contrapartida, para o preço pedido, fica a sensação de que não acompanha todas as evoluções tecnológicas dos rivais - e a antena RTK obrigatória para funcionar é um bom exemplo. Também não oferece mapeamento 100% automático e o ajuste de altura exclusivamente manual impede cenários realmente personalizados.
Para uma primeira entrada no mercado de robots corta-relva, estes pontos negativos são perdoáveis, mas a Roborock terá de alinhar rapidamente pelos padrões da concorrência se quiser impor-se aqui como já conseguiu no universo dos robots aspiradores.
Roborock RockNeo Q105
Preço: 799€
Pontuação: 8
Nota global
8.0/10
Gostámos
- Corte eficaz
- Desvio de objetos e capacidade de transpor obstáculos
- Boa autonomia
- Aplicação simples e completa
- Preço acessível
Gostámos menos
- Ajuste da altura de corte apenas manual
- Antena RTK obrigatória em 2026!
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