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Estudo da University of Exeter revela como os esquilos-cinzentos escolhem recompensas

Esquilo cinzento a comer nozes em tronco com outras esquilos desfocados ao fundo e bandeira verde.

Por vezes, as melhores recompensas não são as mais fáceis de alcançar. Um novo estudo sobre esquilos mostra que os animais tendem a tomar decisões inteligentes quando têm de ponderar esforço, tempo e risco.

Investigadores da University of Exeter observaram esquilos-cinzentos em liberdade para perceber como escolhem entre opções mais acessíveis e alternativas de maior valor.

Os dados indicam que estes esquilos nem sempre seguem o caminho mais curto: muitos optam por comida de melhor qualidade, mesmo quando isso exige mais trabalho.

Compreender as decisões dos animais

Em muitos estudos feitos em laboratório, os animais evitam gastar energia extra. Perante duas opções, é frequente escolherem a comida mais fácil de obter, ainda que não seja a melhor.

Os cientistas chamam a isto “desconto”, isto é, a recompensa perde valor quando implica mais tempo ou maior dispêndio de energia. Só que, no mundo real, o cenário é bastante diferente. Na natureza, os animais lidam com condições variáveis, competição e risco.

A equipa de Exeter partiu da ideia de que, em contexto selvagem, os animais podem revelar decisões mais flexíveis e mais práticas do que aquelas normalmente observadas em experiências de laboratório.

Teste às escolhas alimentares

Para testar isto, os investigadores criaram uma experiência simples no campus. Os esquilos podiam escolher entre amêndoas, que preferiam, e sementes de abóbora, de que gostavam menos.

As amêndoas foram colocadas em postes mais altos e mais difíceis de escalar, enquanto as sementes de abóbora ficaram em postes mais baixos e mais fáceis.

Antes de avançarem, os cientistas confirmaram a preferência: quando ambos os alimentos eram igualmente acessíveis, os esquilos escolhiam amêndoas na maioria das vezes.

Os postes foram montados com alturas diferentes. À medida que o poste das amêndoas ficava mais alto, os esquilos tinham de escalar mais e gastar mais energia. Este desenho permitiu medir quanta exigência estavam dispostos a aceitar para obter um alimento melhor.

Esquilos preferem comida de melhor qualidade

Os resultados foram inequívocos. Mesmo quando a escalada se tornava mais difícil, os esquilos continuavam a escolher amêndoas. A preferência por amêndoas só diminuiu ligeiramente à medida que o esforço aumentava.

Isto sugere que os esquilos não desistem rapidamente de recompensas melhores. Pelo contrário, aceitam trabalhar mais quando o benefício compensa.

“Os esquilos do nosso estudo estavam dispostos a esforçar-se mais para obter a melhor comida”, afirmou a autora principal, Yavanna Burnham.

“Isto sugere que – em cenários naturais de tomada de decisão – por vezes pode ser vantajoso para os animais esperar ou trabalhar mais para alcançar um melhor resultado. Era isto que esperávamos encontrar, e mostra o valor de fazer investigação com populações de animais selvagens.”

Porque o esforço não os travou

Os esquilos armazenam alimento por natureza e, todos os dias, tomam múltiplas decisões sobre o que comer e o que guardar. Escolher comida de maior qualidade pode ser vantajoso a longo prazo, sobretudo quando o alimento escasseia.

A experiência também permitia alternar entre as duas opções. Ao contrário de muitos testes laboratoriais, a alternativa não desaparecia depois de uma escolha. Isso tornou a situação mais realista e reduziu a pressão para decidir depressa.

Os investigadores verificaram ainda que a escalada se tornava mais difícil com o aumento da altura do poste. Em postes mais altos, os esquilos subiam mais devagar, indicando que a tarefa exigia maior esforço.

Mesmo com esta dificuldade acrescida, muitos esquilos continuaram a escolher a recompensa superior.

O papel da vida social

O estatuto social influenciou as escolhas. Esquilos menos dominantes optavam com mais frequência pela comida mais fácil.

Para estes indivíduos, o risco de perder a comida para esquilos mais fortes era maior enquanto escalavam. Se surgisse outro esquilo, o mais fraco podia ficar sem a recompensa depois de todo o trabalho.

“Este estudo ajuda-nos a compreender como os animais decidem quanto tempo e esforço investir. Mostra que nem sempre existe uma decisão ‘ótima’ e que – tal como acontece com os humanos – o estatuto social de um animal altera os custos e os benefícios de escolhas específicas”, disse a autora sénior, Dra. Lisa Leaver.

“É racional que esquilos diferentes avaliem a situação e ajustem, em conformidade, a quantidade de tempo e energia que estão dispostos a gastar para obter uma recompensa.”

A competição também alterou o comportamento

A presença de outros esquilos também moldou as decisões de formas interessantes. Quando estavam sozinhos, os esquilos tendiam a escolher mais depressa a opção mais fácil.

Já quando havia outros por perto, muitos procuravam primeiro a melhor recompensa. A competição pode aumentar a urgência e levar os esquilos a agir rapidamente para garantir o melhor alimento.

Os esquilos também evitavam conflitos arriscados. Em vez de disputarem a comida, muitos escolhiam alternativas mais seguras. Isto indica que, ao decidir, os animais consideram o risco além do esforço.

O papel dos níveis de energia

Os níveis de energia foram outro fator relevante. Esquilos que já tinham feito muitas escolhas ao longo do dia passavam, mais tarde, a selecionar com maior frequência as opções mais fáceis.

Isto pode estar ligado ao cansaço e não à fome. Depois de repetidas subidas, podem evitar tarefas mais exigentes para poupar energia.

Os resultados mostram que as decisões variam ao longo do tempo. Os animais ajustam o comportamento com base no esforço que já despenderam.

Uma lição simples dos esquilos

Este estudo, financiado pelo Conselho de Investigação do Ambiente Natural, indica que a tomada de decisão animal é mais complexa do que os resultados simples de laboratório deixam transparecer.

Em liberdade, os esquilos equilibram esforço, recompensa, risco e fatores sociais quando escolhem.

Os dados também sublinham a importância de estudar animais em ambientes naturais. As condições do mundo real permitem perceber com mais clareza como as decisões são tomadas.

Os esquilos mostram que as escolhas inteligentes dependem do contexto. Por vezes, investir mais esforço traz melhores resultados. Noutras situações, faz mais sentido optar pelo caminho mais fácil.

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