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Como andar em segurança no gelo no inverno

Pessoa a caminhar com bastão numa calçada gelada coberta de neve ao lado de casas e carro estacionado.

O inverno mostra o seu lado mais traiçoeiro: os passeios congelam durante a noite, o caminho para o trabalho vira uma pista de patinagem - e, no gelo, quem se mantém de pé é quem ganha.

Quando se juntam chuva gelada, neve derretida que volta a endurecer e uma película de gelo quase invisível, basta um passo mal dado para o dia acabar nas urgências. A boa notícia é que, com alguns hábitos simples, dá para reduzir muito o risco - sem equipamento especial, sem ginásio, apenas com alguma preparação e bom senso.

Calçado certo: a sua proteção mais importante no gelo

No inverno, aquilo que tem nos pés costuma decidir se chega inteiro ao destino ou se, num segundo, fica a olhar para o céu. Solas finas de couro ou ténis lisos, em gelo, comportam-se como patins.

"Quanto mais marcada e mais macia for a sola, melhor a aderência na neve e no gelo."

  • Rasto firme: botas de inverno ou calçado de trekking com solas de borracha robustas e sulcos profundos “agarram” melhor a neve e a lama.
  • Modelos acima do tornozelo: sapatos rasos ficam para trás - botas que envolvem o tornozelo estabilizam a articulação quando escorrega.
  • Botas com forro: o forro quente não só mantém os pés confortáveis como também faz com que, instintivamente, pise mais devagar e com mais controlo, em vez de correr com pressa.

Um truque algo estranho, mas surpreendentemente eficaz na prática: puxar uma meia de ténis velha e resistente por cima de cada sapato. As fibras, em neve pisada e compactada, muitas vezes dão uma aderência visivelmente maior. Bonito não é; útil, sim.

Neve fresca é melhor do que gelo espelhado

A pé, vale a pena escolher o piso com atenção. O ideal é caminhar sobre neve pouco compactada.

A neve acabada de cair ainda tem textura: range sob os pés e cede ligeiramente, o que aumenta a tração. O problema aparece onde a neve derreteu durante o dia e voltou a congelar mais tarde - a camada branca transforma-se numa placa de gelo difícil de ver.

Sempre que der, prefira a faixa clara e ainda fofa junto à berma, em vez do trilho cinzento e brilhante ao centro, já “polido” por muita gente. Esse pequeno desvio pode evitar fraturas.

A “marcha de pinguim”: tão embaraçosa quanto eficaz

Para andar com estabilidade no inverno, compensa pôr o orgulho de lado e copiar um animal que domina o gelo: o pinguim.

Regras base da “marcha de pinguim”:

  • Passos curtos: nada de passadas largas. Faça muitos passos pequenos, quase a arrastar.
  • Corpo ligeiramente para a frente: incline o tronco de forma mínima e mantenha o peso mais sobre o pé da frente.
  • Braços para os lados: não os encoste ao corpo; deixe-os soltos, lateralmente, para melhorar o equilíbrio.

Sim, pode parecer um pouco desajeitado. Mas assim distribui melhor o peso e reage mais depressa quando o pé ameaça fugir. As crianças, muitas vezes, até se divertem com isso - um bónus simpático no caminho para a escola.

Mãos livres em vez de mala pesada

Outro clássico das quedas: mala pesada, bolsa a tiracolo ou pasta que puxa para um lado. Quando perde o equilíbrio, fica com menos capacidade de se “apanhar”.

"No inverno, o peso deve ir nas costas, não ao ombro."

Uma mochila normal traz várias vantagens:

  • O peso fica distribuído pelos dois ombros.
  • As mãos ficam livres para se apoiar.
  • Consegue rodar e corrigir melhor o corpo se começar a escorregar.

Em particular, muitas pessoas mais velhas subestimam o quanto uma mala de um só lado aumenta o risco de queda. Quem tem problemas de costas deve procurar alças largas e almofadadas.

Devagar é mais rápido: como andar mesmo em segurança

Entre pressa e caos de inverno, muita gente sai a correr como se o chão estivesse seco. É um erro que todos os anos provoca milhares de quedas. Em caminhos escorregadios, o mais seguro é abrandar de propósito.

Regras úteis:

  • Reduza o ritmo: conte com mais alguns minutos e caminhe como se qualquer zona pudesse estar escorregadia.
  • Teste a firmeza: antes de colocar todo o peso num pé, toque primeiro no chão e confirme se cede ou se está liso.
  • Olhe em frente: não fique a olhar fixamente para os sapatos. Ao olhar para a frente, mantém o corpo mais estável no eixo.
  • Evite movimentos bruscos: fuja de rotações repentinas, mudanças rápidas de direção ou paragens abruptas.

Mãos fora dos bolsos - luvas calçadas

Quando o frio aperta, o reflexo é enfiar as mãos nos bolsos do casaco. No gelo, isso é praticamente um convite para cair de cara.

"Com as mãos livres, consegue amortecer a queda - dentro dos bolsos, não."

Opte por luvas quentes e grossas. Assim mantém as mãos de fora e prontas a reagir. Se escorregar, pode agarrar um corrimão, apoiar-se numa parede ou proteger-se de forma dirigida, em vez de cair rígido como uma tábua.

Até o lado da rua pode fazer diferença

Se houver escolha, no inverno não se anda por “qualquer” passeio. O lado mais iluminado e mais usado tende a ser mais seguro.

  • Escolha o lado com sol: o gelo derrete mais depressa, sobretudo no fim da manhã.
  • Evite ruelas escuras: à sombra, o gelo pode manter-se dias inteiros.
  • Encare escadas com respeito: degraus podem parecer secos e, na verdade, estar lisos como um espelho - use sempre o corrimão e teste degrau a degrau.
  • Quando possível, pise neve fresca: sobretudo onde o resto do percurso já foi “polido” e ficou escorregadio.

Os bastões não são só para caminhadas

Quem tem de atravessar diariamente zonas geladas para ir para o trabalho, apanhar o autocarro ou fazer compras pode ganhar muito com bastões simples (de marcha ou de caminhada). As lojas de desporto têm modelos resistentes com boas pontas.

Estes bastões oferecem:

  • um ponto adicional de contacto com o chão,
  • mais estabilidade ao arrancar e ao travar,
  • a possibilidade de travar um escorregão mais cedo.

Para pessoas mais velhas, quem tem problemas articulares ou quem está a recuperar de cirurgias, pode ser um investimento sensato durante os meses de inverno. Se não tiver bastões, em último caso um bengaleiro sólido também serve - desde que não escorregue.

Aprender a cair da forma certa

Mesmo com toda a preparação, nem sempre dá para evitar uma queda. Nessa altura, a forma como cai pode ser a diferença entre nódoas negras e uma fratura.

Situação Melhor reação Melhor evitar
Escorrega para a frente Mãos para a frente, use os antebraços, enrole ligeiramente o tronco, não fique rígido. Bater com os braços esticados e cair sobre os pulsos.
Tomba para trás Aterre primeiro com o rabo e as coxas, arredonde ligeiramente as costas e recolha a cabeça. Atirar as mãos esticadas para trás ou deixar a cabeça desprotegida.

Isto lembra um pouco as quedas do judo: a força espalha-se por uma área maior, em vez de se concentrar no pulso ou na anca. Quem se sente inseguro pode aprender estas técnicas em muitos clubes desportivos ou em cursos de prevenção de quedas.

Porque é que o gelo é tão traiçoeiro

O gelo forma-se muitas vezes com chuva que congela ou com neve que derrete e volta a “pegar” durante a noite. O mais perigoso é o chamado “gelo súbito”: em poucos minutos, uma película fina e quase invisível cobre estradas e passeios. Reflete pouca luz e parece asfalto normal.

Nessas situações, o corpo espera resistência - e, de repente, não encontra nenhuma. É aí que acontecem quedas violentas, em que as pessoas batem com as costas, a anca ou a cabeça. Ao interiorizar as estratégias acima, cria uma margem de segurança contra esse efeito surpresa.

Quando é melhor optar por outros meios

Por muito úteis que sejam estas medidas, há dias em que o passeio é simplesmente perigoso. Se os serviços de emergência e a polícia estiverem a alertar para gelo intenso, vale a pena avaliar com frieza se o trajeto a pé é mesmo necessário.

  • Se possível, troque deslocações curtas para o trabalho por teletrabalho.
  • Agrupe idas à cidade, em vez de sair várias vezes por dia.
  • Em caso de limitações de saúde importantes, peça ajuda a familiares ou vizinhos.

Quem, apesar dos avisos, tiver de sair, deve contar com mais tempo e combinar várias proteções: calçado aderente, “marcha de pinguim”, mochila, luvas e, se existir, bastões. A soma destes pequenos passos é o que faz a diferença - e torna o inverno exigente, mas não doloroso.

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