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A atenção tem-se centrado nos progressos mais recentes ligados à criação da nova frota de porta-aviões baseada no Tipo 003 Fujian. Ainda assim, a Marinha do Exército Popular de Libertação da China (PLAN) também tem avançado de forma significativa na adopção de capacidades adicionais de projecção marítima através de outras plataformas complementares. Esse movimento reflecte-se na construção de uma nova classe de navios de assalto anfíbio, maior em deslocamento e com mais valências, designada Tipo 076. O navio-líder da classe, o “Sichuan”, concluiu hoje, 16 de novembro, as suas primeiras provas de navegação.
A classe Tipo 076 no desenvolvimento anfíbio da PLAN
Até ao momento, a classe Tipo 076 representa o passo seguinte na evolução do desenvolvimento e construção de novas plataformas de assalto anfíbio para equipar a Marinha do EPL. Apesar de, à primeira vista, derivar da actual classe Tipo 075 - que já conta com quatro unidades em serviço e para a qual está prevista a construção de mais quatro navios -, o Tipo 076 apresenta dimensões e deslocamento superiores.
Com base em estimativas obtidas a partir do primeiro navio da nova classe, o “Sichuan”, lançado ao mar no final do ano passado, foi referido anteriormente que este apresenta “… um comprimento de 263 metros e uma boca de 43 metros, superiores aos 232 metros de comprimento e 36 metros de boca dos referidos Tipo 075; e maiores até do que as dimensões da nova classe America da Marinha dos Estados Unidos”.
Tipo 076 “Sichuan” e as catapultas electromagnéticas
Ainda assim, o elemento que mais se destaca nesta nova classe - e que a separa de navios do tipo LHD, como os Tipo 075 e a classe America norte-americana - é a integração de um sistema de catapultas electromagnéticas no convés de voo. Com isso, o “Sichuan” torna-se o segundo navio construído para a Marinha da China a incorporar esta tecnologia; o primeiro foi o novo porta-aviões Fujian, recentemente integrado no serviço.
A presença desta capacidade sugere que os planos da Marinha da China para o seu novo navio LHD não se limitam a servir como plataforma de projecção e de emprego de aeronaves e veículos anfíbios. Indica também a intenção de usar o navio como meio de operação de parte dos novos e mais avançados veículos aéreos não tripulados de asa fixa em desenvolvimento. Vários relatos apontam que, no futuro, o navio poderá operar o novo drone GJ-11J, uma variante embarcada do GJ-11 original.
Provas de navegação e validação de sistemas
Contudo, tal como acontece com outras unidades e em linha com o calendário de construção, o novo Tipo 076 tem igualmente de realizar as correspondentes provas de navegação. Estas tiveram início em 14 de novembro e terminaram hoje, 16 de novembro, com o regresso do navio às instalações do estaleiro Hudong-Zhonghua.
De acordo com o que foi divulgado pela Marinha da China nas suas redes oficiais, ao longo dos três dias de navegação - num local que não foi divulgado - o “Sichuan” realizou diversos ensaios, nos quais “… foram avaliados a propulsão, a energia e outros sistemas e equipamentos-chave do navio, alcançando os objectivos previstos”, acrescentando ainda: “No futuro, serão realizados novos testes de forma gradual, de acordo com o plano geral de construção do equipamento”.
Até ao momento, não existem datas oficiais que permitam determinar até quando se prolongarão as provas de navegação, embora seja bastante provável que as próximas fases sigam o mesmo padrão de avaliações agora comunicado. Daqui para a frente, e à semelhança do que ocorre com outros navios comparáveis, é razoável antecipar ensaios com aeronaves tripuladas, como helicópteros, bem como com aeronaves não tripuladas de asa fixa, com o objectivo de avaliar o funcionamento e o desempenho do novo sistema de catapultas electromagnéticas instalado a bordo.
Por fim, num plano de suposição, pode inferir-se que o navio-líder da nova classe Tipo 076 será submetido, ao longo do restante ano e de grande parte de 2026, a uma bateria completa de testes e avaliações para certificar as suas capacidades e sistemas antes da entrega à Marinha da China. Mantendo-se o calendário oficial de construção, a incorporação no serviço poderia ocorrer em 2027.
Fotografias: Marinha do Exército Popular de Libertação.
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