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Encontrar uma libélula no jardim: o que pode indicar

Rapaz agachado junto a lagoa de jardim observa libélula pousar na sua mão numa tarde soalheira.

Encontrar uma libélula nas imediações de casa costuma ser um indício de que, por perto, existem água, vegetação e outros insetos disponíveis. Estes animais pertencem à ordem Odonata e passam uma parte significativa do seu ciclo de vida em meio aquático, antes de atingirem a fase adulta e começarem a sobrevoar jardins, margens de rios, lagoas e zonas húmidas.

O que significa encontrar uma libélula no jardim?

A presença recorrente de libélulas sugere que o local reúne condições adequadas para se alimentarem, repousarem ou até se reproduzirem. Como os adultos dependem de outros insetos para caçar e as larvas se desenvolvem na água, é comum surgirem em áreas com alguma diversidade de plantas e com ambientes aquáticos nas proximidades.

Isto pode estar associado a várias características do espaço envolvente:

  • Existência de lagoa, ribeiro, charco, pântano ou reservatório natural nas redondezas;
  • Vegetação utilizada como abrigo e ponto de descanso;
  • Disponibilidade de pequenos insetos que servem de alimento;
  • Menor utilização de pesticidas de largo espectro;
  • Presença de um ecossistema capaz de sustentar predadores e presas.

Por que as libélulas são consideradas bioindicadoras?

As libélulas e as donzelinhas integram a ordem Odonata, composta por insetos cujo desenvolvimento está ligado à água. Depois da eclosão dos ovos, surgem larvas aquáticas - também designadas ninfas ou náiades - que precisam de permanecer nesse ambiente até ocorrer a metamorfose para adultos alados.

Muitas espécies reagem de forma sensível a alterações na vegetação, ao oxigénio dissolvido, à temperatura e à composição da água. Por isso, a variedade de Odonata observada num determinado sítio pode ajudar investigadores a inferir a qualidade ambiental. Ainda assim, não é correto dizer que todas as larvas sobrevivem apenas em água totalmente limpa, porque algumas espécies toleram ambientes mais alterados do que outras.

  • Algumas espécies dependem de água bem oxigenada;
  • Outras precisam de vegetação aquática para depositarem os ovos;
  • A remoção da vegetação ribeirinha pode diminuir a diversidade de adultos;
  • Poluentes podem comprometer o desenvolvimento das larvas;
  • Uma maior variedade de espécies tende a fornecer informação mais fiável do que um único avistamento.

Como esses insetos ajudam no controle dos mosquitos?

As libélulas são predadoras em todas as fases do seu desenvolvimento. Em adultas, capturam pequenos insetos em voo, incluindo mosquitos; já as ninfas caçam organismos aquáticos de menor dimensão, recorrendo a uma estrutura bucal que se projeta rapidamente em direção à presa.

Ensaios indicam que ninfas de certas espécies conseguem consumir larvas de Aedes aegypti. Este comportamento pode contribuir para o equilíbrio natural em ambientes aquáticos, embora os resultados dependam da espécie, do tamanho do predador e das condições do local. Ainda assim, a presença de libélulas não substitui a eliminação de recipientes com água parada, que continua a ser a principal medida para impedir a reprodução do mosquito da dengue.

Como tornar o jardim mais favorável às libélulas?

Um jardim com plantas diversas, zonas soalheiras e pouca aplicação de inseticidas pode disponibilizar locais de pouso e oportunidades de alimentação. Quem tem um lago ornamental deve manter a água em boas condições, com vegetação adequada e sem descargas de produtos químicos.

Algumas práticas ajudam a promover a biodiversidade sem criar focos de mosquitos:

  • Preserve plantas autóctones e a vegetação próxima da água;
  • Evite pulverizar inseticidas sem necessidade;
  • Não capture nem manuseie as libélulas;
  • Elimine água acumulada em pneus, vasos, caleiras e recipientes;
  • Mantenha lagoas ornamentais bem planeadas e monitorizadas com regularidade;
  • Esteja atento a outros sinais de biodiversidade, como o coaxar de rãs em jardins com abrigo e humidade.

A visita é positiva, mas não prova sozinha que não existe poluição

Uma libélula adulta pode deslocar-se alguma distância desde o local onde nasceu, aparecer apenas para caçar ou usar uma planta como ponto de repouso. Assim, um único exemplar não confirma que o jardim esteja totalmente livre de poluição, nem que exista água limpa dentro da propriedade.

Quando os avistamentos são frequentes e incluem diferentes espécies, tornam-se um sinal mais consistente de vegetação, disponibilidade de presas e existência de ambientes aquáticos nas proximidades. A melhor atitude passa por preservar o espaço, evitar produtos nocivos e observar a libélula sem interferir no seu comportamento natural.

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