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Como os ramos das árvores indicam a reidratação da primavera, diz a UBC Okanagan

Mulher numa floresta a analisar dados de sensores ligados a uma árvore durante estudo ambiental.

Quando chega a primavera, quase todos reparamos primeiro nos sinais mais óbvios: rebentos, cores renovadas e aquela sensação repentina de que a floresta está a despertar de novo.

Mas uma investigadora da UBC Okanagan (UBCO) diz que algumas árvores podem também “mostrar” algo mais discreto - e, surpreendentemente, fácil de observar. À medida que recuperam água depois do inverno, certos ramos elevam-se. Quando as árvores começam a ficar com pouca água, esses mesmos ramos vão, lentamente, descendo.

Magali Nehemy, que investiga a hidrologia florestal no Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente da UBCO, tem analisado o que acontece no interior das árvores quando o inverno termina e a época de crescimento arranca. O seu novo estudo centra-se no movimento dos ramos durante a reidratação da primavera.

“\“A reidratação da primavera é uma das transições-chave nos ecossistemas florestais,\” disse Nehemy. \“É o momento em que as árvores começam a repor as reservas internas de água e a preparar-se para a época de crescimento.\””

Observar a reidratação das árvores

O trabalho acompanhou abetos-bálsamo na região de Muskoka, no Ontário, desde o início de março até meados de maio - um período em que o degelo e os primeiros episódios de chuva começam a repor as reservas de água.

A equipa de Nehemy recorreu a sensores de alta resolução instalados nos troncos, em conjunto com fotografia em lapso de tempo, para comparar o estado hídrico interno das árvores com alterações visíveis na postura dos ramos.

O sistema de sensores registou o raio do tronco a cada 15 minutos, captando pequenas expansões e contracções que reflectem a saída e o regresso de água aos tecidos da árvore.

Em paralelo, as câmaras em lapso de tempo detectaram mudanças subtis, mas consistentes, no ângulo dos ramos.

O padrão foi inequívoco: durante o degelo e a precipitação, os ramos iam subindo gradualmente. Quando o tempo secava, os ramos cediam e desciam.

O tamanho do tronco conta uma história

O inchar e o retrair dos troncos não acontece ao acaso - acompanha a forma como a água entra e sai da árvore.

Quando a árvore perde água, os tecidos contraem-se ligeiramente. Quando a água é reposta - graças ao degelo, à chuva e à absorção pelas raízes - esses tecidos voltam a expandir-se.

Por isso, os dendrómetros (sensores do raio do tronco) são usados com frequência em hidrologia florestal e ecofisiologia: funcionam como um indicador de alta frequência de stress hídrico e de recuperação.

O estudo de Nehemy mostra que a postura dos ramos acompanha de perto estas alterações internas. Isto sugere que aquilo que parece um pequeno “abalo” físico pode, afinal, corresponder a uma mudança relevante no nível de hidratação da árvore.

Porque é que o momento da água importa

A relevância prática está no facto de as alterações climáticas estarem a transformar a forma como as florestas do norte obtêm água. Invernos mais quentes podem modificar a acumulação de neve. Um degelo mais cedo pode alterar o momento em que o solo fica húmido. E períodos secos mais longos podem surgir em alturas pouco oportunas da época de crescimento.

Neste contexto, conseguir “ler” o estado hídrico torna-se importante - não apenas para investigadores, mas também, potencialmente, para gestores do território e observadores no terreno que procuram perceber como as florestas estão a lidar com estas mudanças.

Nehemy defende que sinais visíveis, como a postura dos ramos, podem oferecer mais uma janela para acompanhar a resposta da floresta, sobretudo quando é difícil aplicar medições tradicionais em grande escala.

A postura dos ramos revela stress hídrico

Há, no entanto, um pormenor importante: as árvores não reagem apenas à água. A primavera também traz oscilações bruscas de temperatura. Noites frias e dias quentes podem criar ciclos de congelação–degelo que provocam mudanças dramáticas e de curto prazo no tamanho do tronco.

Nehemy refere que o estudo detectou essas variações rápidas do tronco durante noites frias de primavera, mas a orientação dos ramos não reagiu da mesma forma.

“\“Curiosamente, os ciclos de congelação–degelo em noites frias de primavera causaram alterações acentuadas no tamanho do tronco, mas tiveram pouco efeito na orientação dos ramos,\” disse Nehemy. \“Isto sugere que a postura dos ramos reflecte o estado hídrico de mais longo prazo, e não flutuações de temperatura de curto prazo.\””

Assim, um ramo mais caído não significa apenas “fez frio ontem à noite”. Pode ser, antes, um sinal lento de que o stress hídrico está a aumentar.

Árvores diferentes, sinais diferentes

A equipa também reparou que este comportamento não é universal em todos os tipos de árvores. Na mesma floresta, árvores de folha caduca ali perto, sem folhas, apresentaram pouca ou nenhuma movimentação dos ramos, enquanto coníferas de folha persistente mostraram mudanças de postura muito mais evidentes.

Isto levanta novas questões sobre como a biomecânica dos ramos, a estrutura foliar e as estratégias de transporte de água variam entre espécies.

Também coloca a hipótese de a postura dos ramos poder vir a ser uma ferramenta de monitorização mais abrangente para algumas florestas - mas não para outras.

Um indício visual de baixo custo

Nehemy evita exagerar as implicações. Observar ramos não é o mesmo que medir o potencial hídrico do tronco ou instalar redes completas de sensores.

“\“O movimento dos ramos não substitui instrumentos científicos como dendrómetros ou sensores de água nas plantas,\” afirmou.”

“\“Mas pode oferecer um indicador visual e de baixo custo da hidratação das árvores, e isto é especialmente útil para observações no terreno ou monitorização de ecossistemas.\””

As plantas movem-se mais do que pensamos

Há séculos que os cientistas se interessam pelo movimento das plantas, mas ainda existe muito por compreender sobre como e porquê elas alteram a forma em resposta ao ambiente.

Este estudo acrescenta uma peça curiosa a esse puzzle: pelo menos em algumas coníferas, é possível ver em tempo real o “reabastecimento” da primavera. Os ramos elevam-se quando a água regressa. Descem quando a árvore começa a ficar em défice.

É um movimento pequeno, mas num mundo cada vez mais quente - em que o momento em que a água chega conta mais de ano para ano - pode ser um sinal útil a ter em conta.

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