Os sulcos nas unhas são linhas ou pequenas cristas que tornam a superfície da unha menos uniforme. Podem surgir na vertical, desde a base até à extremidade, ou na horizontal, a atravessar a unha de um lado ao outro. Na maior parte dos casos - sobretudo quando são discretos e verticais - não significam nada de grave. Ainda assim, alterações súbitas, marcas muito profundas ou sinais associados como dor, mudança de cor e maior fragilidade devem ser valorizados.
Por que aparecem sulcos verticais nas unhas?
Os sulcos verticais são os mais frequentes. É comum tornarem-se mais evidentes com o passar dos anos, porque as unhas também sofrem alterações naturais, tal como a pele e o cabelo. Nestas situações, a unha pode ficar ligeiramente marcada, sem dor e sem uma mudança relevante na cor.
Para além da idade, a secura repetida das mãos, o contacto frequente com produtos de limpeza, o uso continuado de removedores de verniz mais agressivos e a falta de hidratação podem deixar a unha mais frágil e com aspeto estriado. Em geral, quando os sulcos são finos e surgem em várias unhas ao mesmo tempo, a causa tende a ser benigna.
Quando os sulcos horizontais preocupam mais?
Os sulcos horizontais merecem uma atenção acrescida, sobretudo quando aparecem de forma repentina ou são marcados e profundos. Podem ocorrer quando o crescimento da unha é interrompido temporariamente, seja por um stress no organismo, seja por uma agressão à matriz da unha.
Estas marcas, chamadas linhas de Beau, podem surgir após febre alta, infeções, doenças relevantes, pancadas, cirurgias, períodos de grande stress ou alterações nutricionais. Como a unha cresce lentamente, a linha pode só tornar-se visível semanas depois do acontecimento que levou à interrupção do crescimento.
Quais deficiências podem afetar as unhas?
O aspeto das unhas também pode refletir a falta de alguns nutrientes, embora não seja possível confirmar uma carência apenas por observação. Unhas muito frágeis, quebradiças, a descamar ou com alteração de forma podem estar relacionadas com défices nutricionais ou com outros problemas de saúde.
- falta de ferro pode deixar as unhas fracas e, em alguns casos, deformadas;
- baixa ingestão de proteínas pode comprometer a formação da unha;
- deficiência de zinco pode interferir com o crescimento e a resistência;
- falta de vitaminas do complexo B pode afetar a saúde das unhas;
- dietas muito restritivas podem tornar as unhas mais frágeis.
Ainda assim, o mais prudente é não fazer suplementação por iniciativa própria. Quando existe suspeita de deficiência, a confirmação deve ser feita com exames e avaliação por um profissional de saúde.
Hábitos do dia a dia também causam sulcos?
Sim. As unhas podem ser afetadas por pequenas agressões repetidas ao longo do tempo. Lixar em excesso, remover cutículas frequentemente, usar unhas falsas sem períodos de pausa, aplicar verniz de forma contínua e manusear produtos químicos sem luvas são fatores que podem enfraquecer a superfície e favorecer o aparecimento de marcas.
Também é comum usar a unha como “ferramenta” para abrir embalagens, raspar superfícies ou mexer em objetos. Apesar de parecer um trauma mínimo, pode atingir a matriz ou a lâmina ungueal e contribuir para irregularidades no crescimento.
Quando procurar um dermatologista?
É aconselhável procurar avaliação quando os sulcos surgem de repente, ficam muito profundos, aparecem apenas numa unha, ou quando se associam a dor, inchaço, alteração de cor, manchas escuras, descolamento, sangramento ou deformação progressiva. Estes sinais podem corresponder a situações que vão desde traumatismo a infeções, psoríase, anemia, alterações hormonais ou outras condições que exigem cuidados específicos.
O mais importante é observar o conjunto. Sulcos discretos e verticais podem enquadrar-se no envelhecimento natural ou na secura. Já marcas horizontais profundas, mudanças rápidas ou alterações acompanhadas por outros sintomas justificam investigação. Hidratar, proteger as mãos de produtos agressivos e manter uma alimentação equilibrada ajuda, mas quando a alteração sai do padrão habitual, o diagnóstico deve ser feito por um profissional.
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