Saltar para o conteúdo

Impressões do demo de Tomb Raider: Legacy of Atlantis

Mulher em templo antigo prende-se a corda e toca objeto luminoso flutuante numa sala com água e engrenagens.

Reinvenção de um clássico com Unreal Engine 5 e “ferramentas assistidas por IA”

Tomb Raider: Legacy of Atlantis pega na primeira aventura de Lara Croft, lançada em 1996, e reconstrói-a como uma reinterpretação moderna. A Crystal Dynamics e a Flying Wild Hog recorreram ao Unreal Engine 5 - e, de forma polémica, a uma quantidade não especificada de “ferramentas assistidas por IA”, conforme indicado na página do jogo na Steam - para recriar o título que ajudou a cimentar a exploradora como um ícone dos videojogos.

Depois de passar cerca de uma hora com o jogo, saio com um optimismo moderado. Ao mesmo tempo, algumas escolhas de design deixam-me irritado e a minha aversão à IA generativa impede-me de me entusiasmar sem reservas, pelo que fico dividido.

O puzzle da cascata e a exploração do templo aquático

A demonstração começa com Lara a sair de uma gruta e a deparar-se com uma clareira ampla, dominada por uma cascata bonita e constante. À medida que contorno a zona, a vegetação e a vida selvagem da floresta tropical enchem os auscultadores com uma paisagem sonora densa e envolvente.

Sem grande enquadramento narrativo (algo comum em demonstrações), a interface dá-me um objectivo claro: represar a queda de água através de um sistema de corda e roldanas que está avariado. O entrave é simples: faltam três engrenagens, espalhadas pelas ruínas de um antigo templo aquático.

Para as encontrar, vasculho o relicário de cima a baixo, até reunir as peças necessárias e as montar, por fim, na bacia de água mais abaixo. É preciso explorar um pouco para soltar componentes presos nos seus lugares, mas o caminho para os libertar é, no geral, directo e fácil de seguir.

Lara Croft em plataformas, corda e o confronto com dinossauros

Ao ganhar altura nas ruínas, surgem vários desafios de plataformas. A maior parte passa por saltar entre saliências por cima de um canal de água rápido que corre em direcção à cascata. Sempre que falho, a corrente forte empurra Lara de volta ao início desta secção longa, obrigando a repetir cerca de 30 segundos de percurso. No papel parece pouco, mas, depois de várias tentativas, torna-se exasperante.

Assumo a culpa por algumas quedas, mas a maioria aconteceu por causa de uma particularidade irritante do baloiço de corda. Em termos de sensação, baloiçar sobre grandes abismos é satisfatório; o problema está na forma como se activa: só dá para usar a habilidade depois de saltar de uma borda e premir o botão superior do comando enquanto estamos no ar. O detalhe frustrante é que o motor do jogo parece não apresentar/activar o aviso do botão a menos que a câmara esteja apontada directamente para o ponto de ancoragem. O resultado são ângulos estranhos e ajustes forçados da câmara, que estragam o prazer de uma mecânica que, de outra forma, seria sólida.

No topo do templo, depois de desbloquear a última peça do puzzle, Lara interrompe o fluxo de água e a demonstração segue para a sequência final, centrada numa perseguição icónica. Mal entro numa área de floresta mais densa, um grupo de velocirraptores encurrala Lara e obriga-a a sacar as suas pistolas duplas, já emblemáticas.

Disparar contra os dinossauros sabe mesmo bem, e um novo sistema de foco dá utilidade às acrobacias da heroína - mergulhos e rolamentos incluídos. Uma barra de foco vai enchendo à medida que Lara dá cambalhotas e se move, permitindo activar uma janela de três segundos de tempo de bala, em que tudo abranda e fica mais fácil alinhar os tiros.

Depois de um combate tenso, mas electrizante, entra em cena o famoso T. Rex e lembra-me depressa porque é que me metia medo em criança: um erro e viras jantar.

A secção final põe à prova o que aprendi, enquanto a criatura enorme e aterradora me persegue por um desfiladeiro lamacento. Volto a esbarrar na implementação desajeitada da câmara no baloiço de corda (um problema que, em teoria, os criadores ainda podem corrigir), mas a corrida de obstáculos continua a ser empolgante. Quando a aventureira se lança por cima de troncos caídos e faz o último salto heróico rumo à segurança, lembro-me do motivo de a série Tomb Raider ainda ter tantos fãs: a Lara Croft é mesmo muito fixe.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário