O utilitário elétrico que, na China, é conhecido como Xingyuan EX2 - e que se transformou num dos maiores sucessos comerciais do mercado chinês, com mais de 55 mil unidades vendidas em cada mês - está já a preparar a entrada na Europa. Portugal entra nessa rota, até porque a Geely é uma das mais recentes marcas chinesas a operar no nosso país.
A Razão Automóvel falou com responsáveis da Geely Europa, das áreas de comunicação e desenvolvimento, durante os testes de verão do GCOTY - Carro Alemão do Ano. Foi nesse contexto que a marca esteve presente com uma unidade de ensaio do Geely E2 destinada ao mercado europeu.
O recado foi inequívoco: o Geely E2 pensado para a Europa vai custar mais, contará com especificações próprias e terá uma afinação ajustada aos gostos e às exigências dos condutores europeus. Nas próximas linhas, explicamos o que muda.

© Razão Automóvel - Rumores apontam para uma futura produção do Geely E2 numa fábrica em Espanha. O processo ainda não estará fechado.
Não vai custar 9000 euros
No mercado chinês, o Geely Xingyuan é proposto por valores que, à taxa de câmbio atual, arrancam perto dos 9 mil euros. Este preço ajuda a perceber o impacto que o modelo teve por lá: foi o elétrico mais vendido na China em 2025 e, este ano, continua no mesmo registo, com vários meses em que as entregas ultrapassaram as 50 mil unidades.
Esse mesmo número, no entanto, é também o que mais facilmente cria confusão quando se fala da chegada à Europa. Segundo o responsável de comunicação da Geely na Europa, o preço do E2 nos diferentes mercados europeus deverá situar-se, com segurança, acima dos 21 mil euros.
Usados
Carros elétricos europeus por menos de 10 mil euros
Em Portugal, já é possível comprar um carro elétrico usado por menos de 10 mil euros. Um dos mais procurados é o Renault Zoe.
Para Portugal, ainda não existem valores oficiais nem uma data definitiva para o lançamento no nosso mercado, embora a entrada esteja apontada para 2027. As primeiras unidades destinadas à Europa já saíram da China em navios e a chegada deverá acontecer nas próximas semanas.
Duas baterias para a Europa
As baterias também não serão iguais às das versões conhecidas na China. Para a Europa, a Geely deverá apostar em duas variantes, com capacidades na ordem dos 35 kWh e 47 kWh. As autonomias finais dependem ainda do processo de homologação, mas deverão ficar acima dos 250 km e dos 310 km, respetivamente, em ciclo WLTP.
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São números que encaixam no que se espera de um utilitário elétrico de entrada: autonomia suficiente para o uso diário e alguma folga para deslocações fora da cidade. Quanto à restante plataforma - designada GEA - haverá espaço para levar até cinco passageiros e para contar com duas bagageiras: uma dianteira e outra traseira.
A Europa muda o Geely E2
A Razão Automóvel teve a possibilidade de ter um primeiro contacto com o Geely E2 durante alguns minutos, num trajeto que incluiu cidade, estradas secundárias e autoestrada.
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Esse contacto foi curto e feito apenas no lugar do passageiro; por esse motivo, as sensações deste primeiro encontro ainda não podem ser partilhadas. Essa informação está sob embargo até à apresentação do modelo, que deverá acontecer no último trimestre deste ano.
Aquilo que já pode ser divulgado é o trabalho que a Geely Europa está a desenvolver. Esta unidade, a par de outras, foi utilizada para testar sistemas eletrónicos e de assistência em vários países europeus: traduções, leitura de sinais de trânsito, integração de software e adaptação às diferentes realidades de utilização.
Ao nível do equipamento, a Geely está igualmente a concluir uma afinação específica de suspensão e direção para a Europa.
Leitura relacionada (Primeiras Impressões):
- Já conduzimos o primeiro modelo da Geely a chegar a Portugal - A Geely já chegou a Portugal e a Razão Automóvel foi a primeira a sentar-se ao volante do E5, o ponta-de-lança da marca no nosso país.
- Autor: João Delfim Tomé
- Link: https://www.razaoautomovel.com/noticias/primeiras-impressoes-geely-e5-2026/
Mais firme e mais direto
De acordo com os responsáveis de desenvolvimento da Geely Europa, o E2 europeu irá contar com amortecedores específicos e com uma direção mais direta. A justificação é simples: no mercado chinês tende a valorizar-se uma afinação mais macia, centrada no conforto. Na Europa, a Geely considera necessário um comportamento mais firme, previsível e seguro, sobretudo em estrada e autoestrada.
Há ainda um argumento técnico pouco comum neste segmento: apesar de ser um utilitário elétrico acessível, o E2 recorre a motor traseiro e a suspensão traseira multibraços. A maioria dos seus rivais diretos opta por soluções mais simples, como o eixo de torção.
Galeria (4 imagens):
Entre os adversários mais diretos, é natural encontrar propostas como o BYD Dolphin Surf, Hyundai Inster, MG4 Urban, Citroën ë-C3 e o futuro Renault Twingo elétrico.
O Geely E2 pode ter sido concebido como um elétrico barato para a China, mas, na Europa, chegará com outro posicionamento: preço mais elevado, afinação mais cuidada e maior adaptação ao nosso mercado. Falta perceber se continuará suficientemente acessível para repetir, deste lado, o protagonismo que conquistou no seu país de origem.
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