Depois de registar o melhor ano de sempre na Europa - 307 282 unidades comercializadas, o que representa uma subida de 26,4% face a 2024, de acordo com a Dataforce - a MG prepara novos passos para aumentar o seu peso no mercado europeu.
O fabricante, que pertence ao grupo chinês SAIC, quer alargar a oferta destinada à Europa, passando de 10 para 18 modelos ao longo dos próximos dois anos. Para dar suporte a esse crescimento, também está a trabalhar num plano para iniciar produção no «velho continente», tendo já reduzido para cinco as hipóteses de localização para uma futura fábrica.
Produção da MG na Europa para contornar as tarifas da UE
A intenção da MG é começar a fabricar na Europa já no próximo ano, numa altura em que as tarifas elevadas da UE sobre veículos elétricos produzidos na China estão a penalizar o negócio. Atualmente, o grupo chinês está sujeito à taxa máxima de 45%, fator que contribuiu para uma queda de 33% nas vendas de elétricos na Europa em 2025.
“É hora de começar a produzir localmente”, afirmou William Wang, responsável da MG na Europa, numa entrevista à Automotive News Europe. “Precisamos de garantir que tomamos a decisão certa. Se escolhermos o local errado, se não houver apoio do governo local ou se a cadeia de fornecedores não for adequada, teremos problemas. Não se trata de acelerar o processo, mas de acertar na escolha”, disse.
Fábrica europeia: cinco locais ainda em avaliação
Para já, a marca não avançou quais poderão ser os destinos em cima da mesa. A primeira unidade europeia da MG tanto poderá ser construída de raiz como resultar da ocupação de uma fábrica já existente, embora esta última via apresente mais entraves: “Há muita capacidade ociosa na Europa, mas os proprietários nem sempre estão dispostos a partilhá-la connosco”, explicou Wang.
MG: 18 modelos na Europa
Como referido, a MG pretende levar a sua gama europeia até aos 18 modelos dentro de dois anos. Neste momento, a marca disponibiliza 10 modelos no continente. Ao contrário de outros grupos chineses, a SAIC não tenciona seguir uma abordagem multimarca no mercado europeu: “Por que é que precisaríamos de outra marca? Acreditamos que a MG pode crescer melhor como uma única marca”, disse Wang.
Ao longo deste ano, a MG deverá introduzir na Europa um SUV híbrido plug-in, ainda sem informações detalhadas divulgadas. Para o próximo ano, é esperado um modelo mais compacto, pensado para competir com o BYD Dolphin Surf.
A marca poderá igualmente trazer para a Europa o MG8, uma berlina híbrida plug-in que já é comercializada no Médio Oriente. Além disso, existe a possibilidade de recorrer a modelos da Rising Auto, a submarca eletrificada da Roewe - marca criada a partir da antiga Rover -, incluindo o elétrico «SUV-coupé» Rising R7, equipado com bateria de 90 kWh e autonomia anunciada de 730 km (CLTC).
Europa como prioridade
Neste momento, a Europa é o principal mercado da MG, à frente da própria China. “Durante a última década recebíamos sempre carros da China, mas agora os veículos que vendemos são projetados especificamente para o mercado europeu”, explicou Wang.
Para responder às expectativas locais e ajustar os produtos ao gosto dos clientes europeus, a MG apoia-se num estúdio de design em Londres e em centros de engenharia em Birmingham e Frankfurt, que contribuem para afinar os automóveis para esta região.
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