A aranha-joro, uma espécie de amarelo vivo que pode atingir o tamanho de uma mão humana, já avançou para além do Mississippi, à medida que continua a expandir-se pelos Estados Unidos.
Originária da Ásia, esta aranha tem-se espalhado pelo Sudeste e, até agora, ninguém encontrou uma forma simples de travar a sua progressão.
Desde que foi observada pela primeira vez nos EUA, por volta de 2013, esta espécie invasora não só se adaptou como prosperou, levantando questões sobre as razões do seu sucesso em ambientes urbanos.
Investigação recente da Universidade da Geórgia ajuda a explicar este fenómeno, mostrando uma resiliência notável e uma capacidade invulgar para tolerar factores de stress típicos das cidades.
Compreender as aranhas-joro – o essencial
A aranha-joro é uma bela tecelã-de-orbes do Leste Asiático, conhecida pelas cores intensas e pela impressionante perícia a construir teias.
Com um corpo amarelo e azul brilhantes e marcas vermelhas características, a aranha-joro destaca-se como uma verdadeira génio da engenharia.
As fêmeas, bastante maiores do que os machos, conseguem tecer teias com até cerca de 0,9 metros de diâmetro. Estas teias não servem apenas para capturar presas; são também uma demonstração das capacidades arquitectónicas detalhadas desta aranha.
Enquanto predadoras, as aranhas-joro têm um papel importante no controlo de populações de insectos. Alimentam-se sobretudo de pequenos insectos apanhados nas suas teias resistentes, reconhecidas pela força e durabilidade.
Os seus hábitos de predação contribuem para o equilíbrio ecológico ao ajudarem a regular pragas, evidenciando a forma como se tornam parte integrante dos novos ecossistemas onde se instalam.
Como as aranhas-joro lidam com as cidades
O estudo analisou a surpreendente tolerância da aranha-joro a vibrações e ruído - elementos comuns nas paisagens urbanas que, em geral, provocam stress em muitos animais.
Os investigadores verificaram que, mesmo vivendo perto de estradas movimentadas, as aranhas-joro mantêm a saúde e a massa corporal, em níveis semelhantes aos de outras que habitam zonas mais silenciosas.
Esta capacidade de adaptação sugere que a aranha-joro consegue compensar as dificuldades inerentes a um ambiente dominado por humanos.
Andy Davis, cientista investigador na Escola de Ecologia Odum da UGA e autor correspondente do estudo, sublinhou a relevância das vibrações para as aranhas, já que são um sinal sensorial essencial para detectar presas.
“Mas estas teias de aranha-joro estão por todo o lado no outono, incluindo mesmo ao lado de estradas muito movimentadas, e as aranhas parecem conseguir sustentar-se ali. Por alguma razão, estas aranhas parecem tolerantes ao ambiente urbano”, explicou Davis.
Sobreviver e prosperar
As aranhas-joro são frequentemente encontradas em locais onde aranhas nativas não aparecem, construindo as suas teias douradas características em áreas de grande movimento, como entre linhas eléctricas, em cima de semáforos e por cima das bombas de combustível em postos de gasolina.
Isto levou Davis e a sua equipa a estudarem o comportamento destas aranhas junto a bermas de estrada, recorrendo a um diapasão para simular vibrações de presas.
Os resultados mostraram que as aranhas-joro atacaram a presa simulada em 59% das vezes, com uma ligeira diminuição na frequência de ataque perto de estradas mais movimentadas, quando comparadas com zonas mais calmas. Ainda assim, essa diferença não afectou a saúde global nem a massa corporal.
Alexa Schultz, estudante do terceiro ano de ecologia na UGA e co-autora do estudo, observou: “Parece que as aranhas-joro não vão evitar construir uma teia debaixo de um semáforo ou numa zona onde nunca imaginaríamos haver uma aranha. Não sei até que ponto as pessoas vão ficar contentes com isso, mas acho que as aranhas vieram para ficar.”
Impacto cultural e ecológico
No Japão, o seu território de origem, as aranhas-joro estão entrelaçadas na cultura local, sendo muitas vezes celebradas pela dedicação com que tecem as suas teias.
Nos EUA, embora tenham gerado alguma preocupação devido ao tamanho intimidante e ao estatuto de espécie invasora, os investigadores destacam potenciais benefícios, em especial no controlo de pragas.
A presença da aranha-joro obriga-nos a reflectir sobre o equilíbrio delicado entre espécies nativas e não nativas e sobre a possibilidade de existirem relações simbióticas dentro dos ecossistemas.
Aranhas-joro nas selvas de betão
O habitat de origem da aranha-joro, no Japão, partilha clima e latitude semelhantes aos dos EUA, o que sugere uma predisposição para se adaptar.
Trabalhos anteriores do laboratório de Davis já tinham destacado o metabolismo elevado, a frequência cardíaca e a tolerância ao frio como factores que ajudam a explicar o crescimento rápido das populações nos EUA.
O estudo actual acrescenta a tolerância a vibrações e sons urbanos à lista de características que facilitam a expansão da aranha-joro.
Apesar da sua proliferação e do desconforto que podem causar, os investigadores garantem que estas aranhas são relativamente tímidas e não representam uma ameaça significativa.
Lições ecológicas das aranhas-joro
A colonização bem-sucedida de ambientes urbanos pela aranha-joro evidencia um exemplo notável da capacidade de adaptação da natureza perante a expansão humana.
Com resiliência e uma capacidade invulgar para tolerar factores de stress urbanos, como ruído e vibrações, estas aranhas não só sobrevivem como prosperam, abrindo espaço a novos ecossistemas no meio de cidades movimentadas.
Esta investigação da Universidade da Geórgia mostra de que formas inesperadas a vida selvagem consegue ajustar-se às paisagens urbanas.
O estudo completo foi publicado na revista Arthropoda.
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