Um queijo de cabra comercializado em numerosas lojas especializadas e através de grossistas foi retirado de circulação em toda a França. Análises detetaram a presença de um microrganismo que pode tornar-se particularmente grave para grávidas, pessoas idosas e quem tenha o sistema imunitário fragilizado. Quem tiver este produto em casa não o deve consumir em caso algum e deve devolvê-lo no local de compra.
Qual é o queijo de cabra abrangido pela recolha
A recolha diz respeito, em concreto, a uma tommette de leite de cabra produzida e distribuída a nível nacional pela queijaria La Ferme de Liègue. Este queijo esteve à venda entre 05.12.2025 e 26.01.2026.
O produto foi comercializado com a designação “Bêêle des prés”, embalado a vácuo e com rótulo da marca “La Ferme de Liègue”. A distribuição foi feita através de uma rede que inclui lojas gourmet/charcutarias, talhos, grossistas e estabelecimentos de traiteur (catering).
"Este queijo de cabra com a designação “Bêêle des prés” é, em determinadas lotes, oficialmente considerado não comercializável e deve ser, sem exceção, eliminado ou devolvido."
Nos documentos da recolha são referidos, entre outros, os seguintes comerciantes e parceiros:
- Aumand
- Ouest Frais
- La boucherie du coin
- SAS du Bignon
- La Fée Cochette
- Olivier Jouteau
Quem comprou uma tommette de cabra nesses pontos de venda, ou em lojas associadas, deve confirmar cuidadosamente se o produto corresponde ao aviso.
Números de lote, GTIN e data de durabilidade mínima
Para além do nome, o que determina se o produto é afetado é o lote exato. Estão abrangidos os seguintes números de lote:
- CTB031125
- CTB041125
- CTB051125
- CTB291025
- CTB121125
- CTB191125
- CTB261125
- CTB281125
- CTB291125
Para identificação inequívoca, o produto apresenta o código GTIN 3770026529294. Os queijos abrangidos têm a data de durabilidade mínima recomendada até 11.03.2026.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Tipo de produto | Tommette de leite de cabra |
| Marca | La Ferme de Liègue – “Bêêle des prés” |
| Período de venda | 05.12.2025 bis 26.01.2026 |
| GTIN | 3770026529294 |
| Data de durabilidade mínima | 11.03.2026 |
Porque é que o queijo representa um risco para a saúde
Testes laboratoriais confirmaram, nos lotes indicados, uma contaminação microbiológica. Foi identificada Listeria monocytogenes, uma bactéria capaz de provocar intoxicações alimentares. Por esse motivo, o queijo é oficialmente considerado não apto para consumo.
As listerias são relativamente comuns no ambiente. O problema surge quando estes microrganismos se multiplicam de forma significativa nos alimentos e estes são consumidos sem cozedura - como pode acontecer com queijo, peixe fumado ou certos enchidos.
"Listeria monocytogenes pode, sobretudo em pessoas vulneráveis, provocar uma forma grave de infeção alimentar, a chamada listeriose."
Sintomas típicos de uma listeriose
À primeira vista, os sinais podem parecer pouco preocupantes - e é precisamente isso que torna a infeção enganadora. Após ingerir um produto contaminado, podem surgir, entre outros, os seguintes sintomas:
- febre de início súbito
- dores no corpo e queixas semelhantes a dores musculares
- dor de cabeça, por vezes intensa e persistente
- ocasionalmente, sintomas gastrointestinais como náuseas ou diarreia
Os grupos com maior risco incluem grávidas, pessoas idosas, indivíduos com o sistema imunitário enfraquecido e crianças pequenas. Nestes casos, a doença pode evoluir de forma mais severa, podendo, em situações extremas, causar septicemia ou meningite.
O que os consumidores devem fazer agora
Quem tiver no frigorífico uma tommette “Bêêle des prés” da La Ferme de Liègue deve verificar de imediato a informação do rótulo. Se coincidirem a marca, a designação, o GTIN, a data de durabilidade mínima ou um dos números de lote acima, aplica-se o seguinte:
- não consumir
- embalar separadamente de outros alimentos
- devolver no local onde foi comprado
O fabricante pede que o queijo seja entregue ao respetivo comerciante até quinta-feira, 26 de março de 2026. Os consumidores afetados receberão o valor reembolsado. Em muitos casos, o talão não é obrigatoriamente exigido, mas pode facilitar o processo.
Para esclarecimentos adicionais, está disponível uma linha de apoio pelo número 06 21 00 34 42. Através deste contacto, os consumidores podem confirmar se o seu produto está exatamente incluído na recolha e receber orientação sobre os passos a seguir.
"Os consumidores não devem consumir o produto “por sua conta e risco”. Um snack aparentemente inofensivo pode tornar-se perigoso para grupos de risco."
Quando é necessário consultar um médico
Quem já tiver consumido o queijo e, nos dias seguintes, notar febre, dores de cabeça ou dores no corpo deve procurar aconselhamento médico - mesmo que os sintomas pareçam ligeiros.
No caso das grávidas, perante a menor suspeita, não devem esperar: devem contactar diretamente a consulta de obstetrícia/ginecologia ou uma urgência. As listerias podem passar para o feto sem que a mãe apresente sintomas marcados.
Como os consumidores se podem proteger melhor, em geral
Este episódio ilustra quão sensíveis os lacticínios frescos são a falhas de higiene. Algumas medidas simples ajudam a reduzir de forma clara o risco no dia a dia:
- manter o frigorífico permanentemente abaixo de 7 °C
- respeitar rigorosamente os prazos de conservação recomendados para queijos frescos e de pasta mole
- consumir rapidamente as embalagens já abertas
- lavar cuidadosamente tábuas e facas após contacto com produtos de leite cru
- no caso de grupos de risco, optar sempre que possível por lacticínios aquecidos
Muitas autoridades aconselham, de forma geral, grávidas e pessoas com elevada vulnerabilidade a evitarem queijo de leite cru, ou a consumi-lo apenas depois de bem aquecido. O aquecimento intenso destrói as listerias. Em tábuas de queijos, saladas com queijo de cabra ou entradas frias, essa proteção não existe.
O que está por trás de uma recolha a nível nacional
Uma recolha é normalmente desencadeada por controlos de rotina ou por alertas provenientes do comércio. Quando são detetadas amostras anómalas, os fabricantes comunicam às autoridades competentes. Em França, por exemplo, a plataforma “Rappel Conso” centraliza estes avisos e disponibiliza-os publicamente.
Para as empresas, uma recolha é incómoda e dispendiosa; para os consumidores, funciona como uma rede de segurança essencial. A indicação explícita dos produtos e a publicação dos lotes concretos aumentam a transparência e permitem que cada pessoa verifique o que tem em casa.
O caso atual da tommette de cabra mostra que, mesmo em especialidades populares e de produção artesanal, podem ocorrer falhas. Ler os dados na embalagem e acompanhar avisos de recolha ajuda a reduzir o risco individual - sem ter de abdicar por completo do prazer de comer queijo.
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