Quem não quer passar todos os fins de semana da primavera de joelhos a mondar pode deixar o jardim quase sem ervas daninhas com uma técnica de plantação bem pensada.
Em vez de encher cestos com ervas daninhas arrancadas dos canteiros, cada vez mais jardineiros amadores estão a apostar num tapete vivo de plantas vivazes. Quando as coberturas do solo são bem escolhidas e plantadas com pouca distância entre si, fazem o trabalho que, de outra forma, ficaria para a enxada e para as mãos - e março é o momento mais indicado para começar.
Porque é que as ervas daninhas voltam sempre, mesmo quando está sempre a mondar
No solo existe uma enorme reserva de sementes. Na jardinagem, costuma chamar-se a isto uma “banca de sementes”. Sementes acumuladas durante décadas ficam à espera de luz, humidade e ar para germinarem. E é precisamente aí que nasce o problema.
Quando se cava fundo ou se deixa o canteiro descoberto durante muito tempo, essas sementes acabam por vir à superfície. Com luz, germinam - e a monda recomeça do zero. Ou seja: cada mobilização mais agressiva do solo funciona, de certa forma, como abrir a conta dessa reserva de sementes.
“Um solo permanentemente nu convida as plantas espontâneas de forma quase inevitável. Cada espaço livre é ocupado - ou por si com vivazes, ou por aquilo que considera ervas daninhas.”
Acresce que nem todas as plantas indesejadas se comportam da mesma maneira. Espécies anuais, como a morugem (Stellaria media) ou a beldroega (Portulaca), aparecem sobretudo a partir de semente. Já as perenes com raízes profundas (raiz pivotante), como o dente-de-leão ou o amor-de-hortelão (Galium aparine), ficam bem ancoradas e voltam a rebentar a partir de restos de raiz.
Estratégias diferentes para tipos diferentes de ervas daninhas
Para reduzir trabalho, convém perceber, pelo menos de forma geral, o que está a combater. Na prática, muitas vezes chega esta divisão:
- Plantas espontâneas anuais: germinam de sementes, florescem, morrem e deixam novas sementes
- Perenes de raiz profunda: formam raízes fortes e rebentam novamente a partir de pedaços de raiz
- Plântulas lenhosas: pequenas árvores e arbustos que, se não forem removidos cedo, dão muito mais trabalho
Com as anuais, a melhor abordagem é cortá-las rente ao solo, em vez de remexer a terra em profundidade. Assim, elimina a planta sem trazer sementes enterradas para a superfície.
As perenes de raiz profunda pedem outro método: o solo deve estar húmido, mas não encharcado. Nestas condições, dá para soltar a raiz pivotante com uma saca-ervas ou uma pá estreita, chegando relativamente fundo. Quanto menos restos de raiz ficarem no solo, menos vezes a planta voltará a aparecer.
Também são problemáticas as plântulas de ácer, faia ou arbustos ornamentais. Se as deixar passar, em poucos anos terá um problema de raízes no canteiro. O ideal é arrancar estas jovens plantas no primeiro ano - mais tarde, já terá mesmo de escavar.
Mulch vivo: quando as vivazes simplesmente abafam as ervas daninhas
A solução clássica contra plantas espontâneas é o mulch de casca de pinheiro. Ele tapa o solo e trava a germinação de muitas sementes. No entanto, precisa de reposição regular, pode “roubar” algum azoto ao decompor-se e nem sempre fica bem em todos os jardins.
Bem mais interessante é o “mulch vivo”. Aqui falamos de coberturas do solo perenes que formam uma manta verde e, muitas vezes, florida sobre a terra. Ao sombrearem o solo, retiram luz às plântulas, e captam água e nutrientes antes que os “indesejados” os consigam aproveitar.
“Um tapete denso de vivazes deixa passar muito pouca luz até ao solo - as plântulas simplesmente não têm hipótese.”
Estas plantas têm várias vantagens ao mesmo tempo:
- Mantêm o solo mais fresco e com humidade.
- Protegem contra a formação de crosta e a erosão em períodos de chuva intensa.
- Oferecem a insectos pólen, néctar e abrigo.
- Poupam muito tempo a médio e longo prazo, porque quase não é preciso sachar.
Brunnera macrophylla - a estrela entre as coberturas do solo de primavera
Entre profissionais, o miosótis-do-Cáucaso (Brunnera macrophylla) é visto como um verdadeiro “cavalo de batalha” para zonas de sombra e meia-sombra. Esta variedade forma tufos densos, espalha-se por si e marca a primavera com uma floração bem visível.
Características típicas desta vivaz:
| Característica | Brunnera macrophylla |
|---|---|
| Localização | Meia-sombra a sombra, solo húmico |
| Época de floração | Aproximadamente de meados de março a meados de maio |
| Cor das flores | Azul vivo, semelhante ao miosótis |
| Crescimento | Forma tapetes densos, auto-semeia-se com facilidade |
| Particularidade | Também existem cultivares com folhas prateadas e desenhadas |
Sob arbustos, em canteiros sombrios ou na orla de zonas com árvores, esta vivaz transforma terra “triste” num tapete leve de flores. Onde antes tinha de sachar entre plantas isoladas, mais tarde costuma bastar uma olhadela rápida para ver se algum intruso persistente conseguiu furar o tapete.
Como plantar em março: passo a passo
Março é um mês excelente porque o solo costuma estar já mais seco, mas ainda fresco. Assim, as plantas ganham uma época inteira para se estabelecerem antes de chegar o inverno seguinte.
Preparar o solo
Num dia sem geada, retire bem as ervas daninhas existentes, incluindo as raízes. Solte apenas a camada superficial, sem cavar fundo, para não activar novas sementes.Incorporar composto
Espalhe uma camada fina de composto bem maduro e incorpore-o superficialmente com um ancinho. Desta forma, o solo recebe nutrientes, mas mantém-se relativamente “quieto”.Manter pouca distância entre plantas
As coberturas do solo devem ser plantadas de propósito mais juntas do que as vivazes tradicionais. Consoante a espécie, faz sentido um espaçamento de 20–30 centímetros. O objectivo é que, ao fim de um a dois anos, as folhas já se toquem.Regar bem após plantar
Depois de plantar, regue cada exemplar de forma generosa. Isso ajuda a eliminar bolsas de ar entre raízes e terra e facilita o enraizamento.Acompanhar a primeira época
No primeiro ano, regue ocasionalmente - sobretudo em fases secas - e arranque cedo as poucas ervas daninhas que ainda consigam aparecer.
“Março é considerado o ‘tiro de partida’: planta-se com cuidado uma vez e, a partir daí, as vivazes assumem cada vez mais o seu trabalho de monda.”
Que vivazes fecham o solo de forma densa a longo prazo
A Brunnera macrophylla é apenas um exemplo. Consoante a zona do jardim, existem outras coberturas do solo capazes de dar resultados igualmente fiáveis.
Espécies indicadas para sombra e meia-sombra
- Miosótis-do-Cáucaso: floresce cedo e prefere solo húmico, ligeiramente húmido.
- Flor-de-fada (Epimedium): flores delicadas na primavera; surpreendentemente tolerante à secura sob árvores e arbustos.
- Waldsteinia: perene de folha persistente, flores amarelas; útil para cantos mais difíceis debaixo de árvores.
Zonas soalheiras: flores em vez de brita
Em pleno sol, precisa de espécies resistentes, capazes de aguentar calor e falta de água:
- Tomilho e outras aromáticas em almofada: perfumadas, floridas e atractivas para abelhas; óptimas para bordaduras e muros de pedra seca.
- Espécies de Sedum: lidam bem com solos pobres e armazenam água nas folhas.
- Variedades de gerânio-perene (Geranium): criam tapetes mais soltos, mas relativamente fechados, e trazem muita cor ao canteiro.
É importante plantar vários exemplares da mesma espécie, em vez de misturar tudo ao acaso. Um bloco maior da mesma vivaz transmite mais serenidade e fecha o solo melhor do que um conjunto de plantas isoladas.
Dicas para manter o tapete florido realmente fácil de cuidar
Mesmo o mulch vivo não funciona sozinho. Ainda assim, com algumas regras simples, o esforço mantém-se baixo:
- Evite remexer o solo o tempo todo: quanto menos sachar, mais “adormecida” fica a “banca de sementes”.
- Vigie as bordas: se alguma cobertura do solo ficar demasiado exuberante, corte o excesso com a pá e ofereça as partes sobrantes ou replante noutro local.
- Tenha em conta a luz: à sombra, as vivazes tendem a ficar mais altas e menos compactas. Com muita sombra, pode compensar combinar espécies diferentes.
- Adube com critério, sem exageros: na maioria dos jardins, um pouco de composto uma vez por ano é mais do que suficiente.
Se tiver dúvidas sobre o comportamento de uma espécie, experimente primeiro numa área pequena. Assim percebe rapidamente se o porte, a altura e a floração combinam com o estilo do seu jardim.
O que significa, na prática, “mulch vivo”
A expressão “mulch vivo” resume uma ideia simples: em vez de espalhar material orgânico (como casca) sobre a terra, uma camada de plantas cumpre a mesma função - com muito mais vida e cor.
Para o solo, isto traduz-se em oscilações de temperatura menores e numa actividade mais constante do ecossistema subterrâneo. Minhocas e microrganismos sentem-se mais confortáveis. Ao longo de anos, isso melhora a estrutura do solo: a água infiltra-se melhor e tanto o encharcamento como a secura extrema tornam-se menos frequentes.
Os riscos são reduzidos, desde que não escolha espécies extremamente invasoras. Se plantar coberturas do solo demasiado expansivas - por exemplo, algumas formas de hera ou certas formas de erva-das-sete-sangrias (Aegopodium podagraria) - mais tarde terá de intervir com mais força. O mais seguro é optar por espécies que fechem bem o solo, mas que ainda dê para controlar.
A ideia também ganha interesse quando aplicada à horta. Entre culturas mais altas, é possível introduzir plantas baixas e resistentes ao pisoteio para proteger o solo. Exemplos: variedades de tomilho de porte baixo nas bordas ou trevo em cantos mais sossegados. Assim, cria-se um sistema em que culturas e coberturas do solo trabalham em conjunto - e o cesto da monda fica claramente mais leve.
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