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Baixa de Lisboa: petição e ACP dividem-se sobre carros e Rua da Prata

Duas pessoas conversam numa rua com eléctricos, ciclistas e sinal de zona de zero emissões em Lisboa.

A polémica em torno da mobilidade na Baixa de Lisboa voltou a ganhar força, colocando em confronto duas perspetivas radicalmente diferentes sobre o futuro do «coração da capital». De um lado está uma petição que defende uma forte restrição à circulação automóvel; do outro, o Automóvel Clube de Portugal (ACP), que sustenta que a resposta passa, precisamente, por devolver espaço aos carros.

Lançada em setembro, a petição “Baixa de Lisboa com menos trânsito e melhor qualidade do ar” foi debatida numa audição promovida pela Associação de Moradores de Santa Maria Maior - mas foram as posições assumidas pelo presidente do ACP, Carlos Barbosa, que mais atenção concentraram.

Citado pelo Público, Carlos Barbosa foi taxativo: além de se opor a novas limitações ao trânsito automóvel na freguesia de Santa Maria Maior, defendeu também que a Rua da Prata volte a estar aberta a veículos particulares. Recorde-se que a rua foi encerrada desde dezembro de 2022, na sequência do colapso de um coletor subterrâneo.

Medidas com alguma convergência

Apesar do desacordo de fundo, Carlos Barbosa admite concordar com várias medidas presentes na petição. Entre elas estão o reforço da segurança rodoviária, a redução do limite de velocidade para 30 km/h, a prioridade de estacionamento para residentes e um controlo mais apertado sobre o crescimento dos tuk-tuk e dos TVDE.

Ainda assim, o líder do ACP rejeita a proposta de reduzir de forma drástica o acesso automóvel à baixa lisboeta.

Rua da Prata no centro da polémica

Na perspetiva de Carlos Barbosa, o fecho da Rua da Prata originou um estrangulamento desnecessário na circulação dentro da Baixa. Desde novembro de 2023, quando a via reabriu após obras, a utilização ficou limitada a elétricos, bicicletas, trotinetas e peões.

“Nunca percebi porque a fecharam”, afirmou o presidente do ACP, defendendo que a Rua da Madalena passou a suportar uma carga excessiva, sem uma alternativa viável para o tráfego automóvel. No seu entendimento, a ligação entre a Praça da Figueira e a frente ribeirinha continua a ser um eixo essencial para a mobilidade no centro da cidade.

De acordo com Carlos Barbosa, permitir novamente a circulação de automóveis na Rua da Prata ajudaria a retirar parte da pressão hoje concentrada na Rua da Madalena, onde autocarros e outros veículos se deparam com congestionamentos frequentes.

Uma Baixa com menos carros?

No lado oposto, a petição aponta aquilo que considera ser um “excesso de automóveis” na Baixa de Lisboa. O documento refere engarrafamentos recorrentes, atrasos nos transportes públicos e efeitos negativos na saúde pública associados ao elevado volume de veículos a combustão.

Proposta de Zona de Zero Emissões (ZZE)

Entre as medidas apresentadas está a criação de uma Zona de Zero Emissões (ZZE), que restringiria o acesso de veículos não elétricos numa área entre o Cais do Sodré, Chiado, Rossio, Praça da Figueira e Rua da Madalena, prevendo exceções para residentes e veículos de emergência.

Os subscritores da petição defendem igualmente a criação de mais corredores BUS, a requalificação de passeios, a continuidade da rede ciclável e melhores condições para a circulação a pé.

Carlos Barbosa entende, contudo, que uma medida desta escala não seria exequível na realidade portuguesa atual. O presidente do ACP argumenta que a percentagem de veículos elétricos em circulação continua demasiado reduzida para suportar uma restrição tão abrangente.

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