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Manuel Sobrinho Simões recorda a fotografia com o Manel às cavalitas e a “araucária”

Avô, pai e filho exploram um pinheiro no jardim, com livro de botânica e lupa na mesa.

O patologista Manuel Sobrinho Simões revisita a memória da primeira vez em que ficou registado, numa fotografia, com o filho Manel às cavalitas.

Manuel Sobrinho Simões e a primeira foto do Manel às cavalitas

"Foi a primeira vez que me fotografei com o Manel às cavalitas, depois de um demorado trabalho de enquadramento por parte do meu sogro. Na altura, eu tinha uns 27 anos e o nosso primeiro filho um ano e picos. O sítio é o jardim da casa de Vila Praia de Âncora e os sujeitos da fotografia são a cara assustada do miúdo e a arvorezinha que está atrás de nós.

Peço a atenção para a planta que era o elemento crucial do quadro - tinha sido o pai Areias que a comprara com a informação de que se tratava de uma espécie de araucária, e essa opção não fora inocente. À nossa frente tínhamos a majestosa araucária da casa do Dr. Morais Cabral, plantada em 1886 e reconhecida como de interesse público em 1995. Sem qualquer ideia de comparação - impossível, aliás - sempre achámos que estávamos a ajudar a crescer uma outra espécie de araucária que faria pandã com a "joia da coroa" do Dr. João Adelino [Morais Cabral], reforçando simbolicamente a amizade transgeracional das duas tribos.

A “araucária” do jardim e a desilusão

Inicialmente a coisa correu bem, e quando nasceu a nossa primeira neta, uns trinta anos depois, repetimos a pose com a Mariana às minhas cavalitas e a araucária já de grande porte. Infelizmente, a árvore adoeceu por essa altura com uma praga. Recorremos ao Sr. Rocha, especialista do Parque de Serralves, e ele não teve dúvidas: a árvore tinha uma doença incurável e não havia solução.

Gostei sempre muito de plantas em geral, e de árvores em particular, e o Manel tornara-se num especialista em árvores e florestas. Até por isso, não estávamos preparados para a informação adicional do Sr. Rocha: a árvore não era uma araucária (sic). O nosso mundo desabou. Continuamos a tratar da árvore o melhor possível e até conseguimos, há uns três anos, fotografar-me com o Manuelzinho, o neto mais novo, às cavalitas. Estava na altura com 75 anos e a competição, agora, é entre mim e a falsa araucária em termos de sobrevivência."


Manuel Sobrinho Simões
Médico, professor, investigador
78 anos

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