A culpa é do Scirocco. Se a VW não tivesse lançado no ano passado o seu três-portas baseado no Golf, estaríamos a elogiar o Mégane Coupé: um hatch-coupé bonito e agradável de conduzir, um pouco menos prático e um pouco mais emocionante do que um cinco-portas. O problema é que, em quase tudo o que o Mégane faz bem, o Scirocco faz melhor.
Estilo e compromissos do Renault Mégane Coupé
Convém esclarecer a designação desde já: o Coupé é, pura e simplesmente, o Mégane de três portas. Ainda assim, é uma interpretação bem mais radical desta receita do que, por exemplo, o Focus ou o Golf. Basta olhar para o pilar C largo e elevado, que se prolonga em curva até à tampa traseira, para a linha de tejadilho bem inclinada e para o par de entradas de ar grandes e brilhantes na frente.
Não tem a mesma discrição das linhas limpas e bem desenhadas do Scirocco, mas o Coupé continua a ser um conjunto bastante apelativo. Como seria de esperar, a contrapartida é um banco traseiro apertado e uma visibilidade pela luneta que faz lembrar olhar pelo lado errado de um telescópio. Ainda assim, não é caso único: o Scirocco sofre do mesmo mal. Quando a prioridade é a estética, há sempre sacrifícios.
Em estrada: suspensão, altura ao solo e comportamento
Ao volante, também se sente mais incisivo do que o Mégane de cinco portas. O Coupé recebe uma suspensão mais firme - não chega ao extremo de um chassis Cup, mas é claramente mais rija - e uma altura ao solo reduzida em 12mm. O resultado é menos inclinação da carroçaria em curva, à custa de algum desconforto extra em pisos degradados.
Parte dessa sensação vem igualmente das jantes de 43 cm, que são de série na versão de topo com motor a gasolina turbo de 178bhp.
Motor 178bhp, prestações e comparação com o VW Scirocco
Este bloco é, no essencial, uma versão “domesticada” do motor que irá equipar o futuro RenaultSport Mégane. Aqui, consegue levar o Coupé até aos 100 km/h em 7,8 segundos, posicionando-o, no topo da gama, precisamente entre os Scirocco a gasolina de 1,4 e 2,0 litros.
Na prática, porém, não é tão convincente como qualquer um dos dois. Apesar de disponibilizar um bom empurrão de binário em baixa, não tem a aceleração em retomada do Scirocco com motor 2,0 litros, nem a vontade de subir de rotação que caracteriza o 1,4. Em termos de equilíbrio geral e rapidez de resposta, o Mégane não consegue acompanhar o Scirocco - embora, justiça seja feita, existam muitos carros piores para levar por uma estrada sinuosa.
Preço, versões de acesso e o que vem aí no RenaultSport
Se há um ponto em que o Coupé consegue mesmo dar luta ao Scirocco, é no preço. Não nesta variante, que acaba por ficar ligeiramente mais cara do que o ‘Roc a gasolina de menor cilindrada; mas, se estiver disposto a abdicar de equipamento - e, na verdade, também de prestações -, é possível comprar um Mégane Coupé a gasolina de 109bhp por menos de £15,000, ou seja, £3,000 mais barato do que qualquer ‘Roc.
Se a ideia é ter um Mégane capaz de enfrentar o Scirocco em pé de igualdade, o melhor é esperar pela edição RenaultSport, que chega no final do ano com uns sérios 247bhp e um visual mais musculado. A VW que se apresse com esse Scirocco ‘R20’ mais quente.
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